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Em 18/07/2018 10:17:04

4 CRISES ATORMENTAM OS BRASILEIROS

 

Magno Pires

 

            Há uma persistente e (in)domável crise política. E só não é mais devastadora porque o presidente Temer tem tido muita habilidade em sua condução; Contornando algumas; tangenciando outras e resolvendo as possíveis. Conversa com líderes de partidos e seus presidentes, além de deputados, empresários, líderes sindicais, com entendimentos reservados e de pauta diversa. Tem sido incansável; entretanto o êxito dessas conversações demorem; o que provoca desgaste e ansiedade nos seus interlocutores. Não desvanece, porém, Temer e prossegue. Sabe que os problemas do país são inúmeros; E as soluções difíceis; as legiões de partidos e políticos que não aceitam e nem sequer toleram as manifestações de setores partidários seguidores do ex-presidente Lula. E acham que a sua prisão foi um ato de perseguição política. Embora tenha tido ampla defesa e celebrado o espírito do contraditório. Será difícil para o país desgrudar-se dessa situação. E com a aproximação e realização das eleições tendem a exacerbar-se. Agravarem-se. A insistência dos petistas e os seus apoiadores não desistirão dos protestos pró-Lula que são mais políticos que ideológicos e/ou exclusivamente político-partidários.

            A crise política arrasta a social, sustentando-a. Embora todas as medidas tomadas pelo presidente na área financeira, liberando bilhões em recursos para vários setores, mas o resultado tem sido relativo. As repercussões na sociedade são frágeis; não provocando forte impacto capaz de haver mudança imediata, benéfica e duradoura no cenário geral do Brasil e em sua gestão.

Não há, entretanto desagregação social, com distúrbios nas ruas, porém, a sociedade não está satisfeita com as medidas e os seus resultados que não impactam no corpo social. Felizmente não está havendo compressão social, comoção social, com processos indiscriminados de insatisfação da população ou de segmentos dessa. Há uma leniência. Parece que a sociedade aguarda um resultado com a melhoria da situação, tendo em vista as várias intervenções. O presidente é beneficiário dessa ação; não é indiferente, contudo, a sociedade também não entende as medidas tomadas, embora todas em proveito do País.

            O processo social não tem agravado, evidentemente o econômico, embora os brasileiros tenham perdido e/ou se desfaçam de bens para conseguirem dinheiro para cumprir as suas demandas e necessidades. Justamente porque o mercado de bens imóveis está paralisado e/ou ainda funcionando lentamente. Timidamente. Não parece aos analistas políticos, embora os economistas enfatizem esse aspecto, o desfazimento de bens econômicos (casas, apartamentos e fazendas...) é o dado mais cruel da crise porque  (ela) empobrece as pessoas reduzindo os seus patrimônios. A persistir esta ação poderá provocar desagregação social.

            E, por último, a crise financeira... Esta crise está diretamente vinculada à crise econômica. Esta serve de sustentáculo da financeira quando o brasileiro vende bens para poder comprar produtos de consumo à sua subsistência. É a mais profunda de todas. 63, 6 milhões de brasileiros, portanto, mais de ¼ da população economicamente ativa, estão no SERASA. Inadimplentes. E a tendência é de aumento com o aprofundamento da crise, com mais débito (ou débitos) de quaisquer natureza, não quitados. Este é o maior problema do país. Os brasileiros que não podem e não conseguem quitar os seus débitos; justamente porque perderam os empregos.

            Os juros, embora os cortes, ainda estão altíssimos. Os brasileiros estão angustiados, ansiosos, sem esperança, depressivos, agressivos, clamando às autoridades para que haja um anistia geral desses débitos que viabilize seus pagamentos.

            A crise chegou ao fundo do poço. Consequentemente, a tendência é de sua estabilidade, criando-se um impasse econômico recessivo. A crise brasileira não aumenta, tampouco diminuirá; não regredirá, portanto, o país não crescerá. A economia ficará paralisada. Até quando não se sabe.

            Arrisco, entretanto, um exemplo: enquanto as grandes empresas construtoras permanecerem sob as Garras da Lava-Jato, imobilizadas e sem contraírem empréstimos, sem poderem operar, funcionarem regularmente, o país continuará paralisado. Porque elas empregam muita gente e movimentam fantasticamente o mercado com as suas enormes e fortes atividades.

            Não falarei em crise ética, moral e de costumes. A sociedade não trata disso. Embora a corrupção seja a consequência da sua carência e da falta de sua aplicabilidade nos negócios e no relacionamento pessoal. Prospera a cultura dos “espertos”.

 

Magno Pires é membro da Academia Piauiense de Letras, ex-Secretário da Administração do Piauí, ex-consultor jurídico da Companhia Antactica Paulista (Hoje AMBEV) 32 anos. Portal www.magnopires.com.br com 104.780.000 acessos em 8 anos e 9 meses, e-mail: magnopires_mp@yahoo.com.br.