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Em 01/09/2016 07:55:00

DESEMPREGO, INFLAÇÃO E JUROS ALTOS...

            Nada causa mais instabilidade social que o desemprego. E acrescido da inflação e juros altos, criam recessão e impedem o desenvolvimento econômico. Junte-se a isso o descontrole nas contas públicas, com a montagem de um ascendente e crescente déficit fiscal. Esse quadro provocou um aumento assustador em todos os bens de consumo. Dilapidando o nosso salário, com perda de aquisição da moeda.

            Com esse cenário, as atividades econômicas paralisam, com o fechamento de empresas; e as que não encerram as suas funções de produção, terminam com produtividade baixa, com declínio do desenvolvimento, com queda permanente do PIB.

            O país vive a mais profunda crise econômica e social de sua historia com o agravamento da política. A crise das décadas de 80/90, com a extinção de quase todos os bancos estaduais, que provocou um enorme rombo nas contas dos entes federados, com a intervenção financeira  da União, para “salvar” os Estados e resguardar o pacto federativo, foi de menor intensidade. O Brasil jamais teve um contingente de 11,6 milhões de desempregados. Essa quantidade é que assusta e está causando a mais forte e profunda instabilidade vivida pelo país

         O governo da União, para ter retomado o crescimento, com taxas de emprego compatíveis com tamanho de nossa economia, terá que combater, prioritariamente, o desemprego, baixar a inflação e os juros escorchantes, para obter o controle efetivo das contas públicas.

            Essas providencias são essenciais à organização da administração do Estado brasileiro. Entretanto, as reformas tributaria, previdenciária, trabalhista e a política necessitam entrar na pauta de ação política geracional do Governo Federal sob pena de não obter êxito apenas com as ações acima elencadas. FHC, Lula e Dilma reformaram a previdência, portanto, não será novidade a reforma do presidente Michel Temer. Pois, com muita dificuldade, será aprovada. As reformas tributaria  e trabalhista, certamente mais difíceis que a previdenciária, para obtenção de aprovação  no Congresso Nacional, pela repercussão financeira nos Estados membros, com perda de arrecadação no inicio, e “corte de direitos históricos consagrados” aos trabalhadores, respectivamente, têm uma demanda mais complicada e conflituosa, embora um consenso na sociedade, pela sua aprovação.

O atual sistema tributário nacional beneficia exclusivamente os Estados industrializados e produtores de equipamento, bens e serviços, enquanto prejudica bastante os Estados consumidores. É, portanto, ação concentradora de renda porque empobrece mais ainda as regiões do Norte e Nordeste. As mais prejudicadas.

         O vigente modelo de administração e de desenvolvimento praticado no país é altamente concentrador de renda. O país necessita modificá-lo para adequá-lo à realidade social e econômica nacional, para que reconstrua outro que permita e possibilite a redistribuição adequada da renda, para substituir esse modelo atual perverso e prejudicial à sociedade.

         Resumindo: o país somente será justo socialmente quando eliminar os fantasmas do desemprego, da inflação e dos juros escorchantes, do déficit fiscal, reduzir os índices de desigualdade econômica, promover a distribuição de renda, recuperar o valor da moeda, extinguir os vícios ainda existentes da escravidão, do patrimonialismo, do clientelismo, dos grandes latifúndios. O Estado brasileiro precisa ser remodelado e/ou reconstruído para produzir os benefícios econômicos e sociais equivalentes ao tamanho de sua economia e de sua população.

 

Magno Pires é Membro da Academia Piauiense de Letras, advogado da União(aposentado),  Ex-Consultor jurídico-empresarial da CIA Antactica (hoje AMBEV) por 32 anos.

E-mail:magnopires_mp@yahoo.com.br