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Em 05/07/2018 08:33:45

Magno Pires

 

            Nenhum presidenciável prescindirá do apoio do PSDB, PT e MDB, bem como do Progressistas, do PTB, do PSB e do PDT, as maiores agremiações do partidarismo político brasileiro, para galgar o Poder Executivo Federal, em outubro 2018. Consequentemente detentores da maior quantidade de filiados e intenções de voto. Sendo que PSDB, PT e MDB, os três maiores, exatamente os que a ex-senadora e presidenciável Marina Silva (da Rede), quer que o eleitorado os aposente, numa atitude bestilmente radical. Embora peça à sociedade, em sua entrevista às Paginas Amarelas de Veja (27.6.2018), para por “abaixo os redicais”. É um pensamento contraditório. E uma conduta também fundamentalista. Atributos não recomendáveis para uma pré-candidata.

E, se o MDB, com Henrique Meirelles, não foi classificado e/ou  eleito para o 1º turno, qualquer outro postulante que quiser se legitimar nessa condição, necessariamente terá que conversar com os emedebistas. Principalmente porque esse partido detém o maior número de filiados, de prefeitos, de lideranças, com capilaridade em todos os rincões do país. E tem o presidente da República, além de maioria dos senadores e 2º lugar em deputados na Câmara.

Na sua página “Sensacionalista”, substituto Eleição Brasileira 2018, p. 37, a revista Veja lista onze pré-candidatos à presidência da República. Tendo o ex-presidente Fernando Collor de Melo (PTC-AL), ex-governador Ciro Gomes (PDT-Ce), ex-ministro de Estado, Henrique Meirelles (MDB), deputada federal Manuela D’Ávila (PC do B-RS), ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) e Guilherme Baulos (P Sol), este sindicalista. Candidatos com todas as tendências político-partidárias. Além do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ) e Alkimin (PSDB), ex-governador de São Paulo.

Os grandes partidos jamais deixarão de participar de uma eleição presidencial. Ora indicando um candidato a presidente e/ou o Vice. E fazendo as prévias alianças com negociação de cargos da alta administração brasileira. Até o último evento eleitoral foi assim. E também será do mesmo jeito em 2018. Não houve mudança. É do presidencialismo de Coalizão essa forte natureza aliancista. E quem desejou construir um estilo diferente não governou. E quem desejar emoldurar modelo diverso, também não governará. A Câmara e o Senado são instituições poderosas que garroteiam o governo e os presidentes, asfixiando sua administração até inviabilizá-lo, desde que os interesses de deputados e senadores sejam contrariados. São os históricos interesses patrimonialistas.

Os presidentes Getúlio Vargas (1951-1954), João Goulart (1961-1964), Jânio Quadros (1961), JK (1956-1961), Sarney (1985-1990), Collor de Melo (1990-1992), Dilma(2011-2016), Lula(2003-2011) e Temer(2016-2018) sofreram angústias irrefreáveis impostas pela Câmara e o Senado. Estes nove presidentes sofreram vexames insuportáveis por parte dos congressistas. E diante da atitude de deputados e senadores, tomaram medidas extremas, como Suicídio (Getúlio Vargas); João Goulart e Jânio Quadros renunciaram aos mandatos; Collor de Melo e Dilma sofreram impeachment; e JK, Sarney, Lula e Temer tiveram as suas gestões em constantes sobressaltos, tendo que negociar exaustivamente com a Câmara e o Senado para assegurarem a governabilidade. Dialogaram até á undécima hora para também assegurar a administração geral do País. JK, Sarney, Temer e Lula foram hábeis negociadores. E somente sua humildade, paciência e incontáveis horas de conciliação e negociação mantiveram os seus governos. FHC passou o mesmo trauma, mas instituiu a reeleição.

O fenômeno da eleição presidenciável vitoriosa de Collor de Melo, sob o teto de um partido nanico, o PRN, não se repetirá em 2018. O fato político se repetiria se a gestão de Collor fosse bem sucedida, tivesse concluído o mandato, ou o presidente não tivesse sofrido impeachment. Portanto, neste momento, as candidaturas de Bolsonaro, Marina, Ciro Gomes, primeiros colocados nas pesquisas, sucumbirão na experiência eleitoral e na desconfiança do brasileiro como quanto a Collor de Melo e mais distante como Jânio Quadros, bem como Dilma Rousseff a mais recente.

O presidenciável Fernando Haddad, embora com o apoio do ex-presidente Lula (PT), não logrará êxito. As esquerdas não elegerão outro presidente mesmo coligado com outro partido. Ainda que uma agremiação muito forte.

O presidenciável Bolsonaro, 2º colocado nas pesquisas e de extrema direita, só conseguirá êxito se conciliar com outros partidos. Com o nanico PSL não convencerá o eleitorado. Como é ex-integrante das Forças Armadas, na qualidade de ex-oficial, o receio é os militares das Forças Armadas o apoiarem. Devido a grande credibilidade da Instituição.

O proponente Ciro Gomes (PDT-Ce), arrogante, estilo arrebenta porteira, de difícil convivência, inabordável, não logrará êxito. Não fará coligação com o MDB e outros partidos. É reducionista.

O candidato do MDB, Henrique Meirelles, é o mais preparado político e tecnicamente de todos. Ex-presidente do Banco Central do Governo Lula e ex-ministro da Fazenda de Temer. Organizou a economia do País, com o declínio da inflação e dos juros, dando estabilidade à economia, com queda do desemprego. Foi deputado federal por Mato Grosso do Sul e presidente do Banco de Boston, a maior instituição de crédito do planeta. Nenhum dos eventuais postulantes tem a sua experiência. Ficha-limpa. É também muito rico.

Nenhum presidenciável conseguirá êxito do seu projeto político sem o alcance das alianças partidárias. E as grandes agremiações, embora o exemplo de Collor de Melo, elegendo-se através de um partido nanico, serão essenciais na luta dos candidatos para alcançar a vitória almejada. Ainda que a indignação da sociedade com os partidos e os seus líderes. E a prisão e condenação de vários deles por corrupção. Isso, entretanto não arrefecerá o desejo do povo para eleger o seu futuro presidente.

 

 

Magno Pires é membro da Academia Piauiense de Letras, ex-Secretário da Administração do Piauí, ex-consultor jurídico empresarial da Companhia Antactica Paulista (Hoje AMBEV) 32 anos. Portal www.magnopires.com.br com 103.920.112 acessos em 8 anos e sete meses, e-mail: magnopires_mp@yahoo.com.br.