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Em 19/04/2014 09:43:00
Magno Pires Os cerrados do Piauí têm uma área de 11,5 milhões de hectares, com 8,5 milhões prestáveis ao plantio da agricultura e criação da pecuária, mas apenas 1,264 milhão de hectares, sendo explorados atualmente, tendo produzido na safra 2012/2013, 1,6 milhão de toneladas de grão. É o quarto bioma de cerrados brasileiros, perdendo em extensão para os Estados de Goiás (55,5 milhões hectares), Mato Grosso (47,9 milhões de hectares) e Minas Gerais (30,8 milhões de hectares). Entretanto, enquanto as áreas desses Estados estão praticamente exploradas, o cerrado piauiense produz grãos em apenas 1,264 milhão hectares, com quase todo o seu potencial inexplorado. Portanto, a fronteira agrícola ainda aguarda a ação dos empreendedores para produzir em toda a sua potencialidade. A área explorada ainda é ínfima comparada com sua extensão e potencialidades e as enormes riquezas que deverá produzir em termos de grãos, impostos e empregos, com alta tecnologia, sendo os equipamentos utilizados nas lavouras de grãos os mais modernos do planeta ou o que tem de mais sofisticado no mundo. Portanto, melhor dizendo, os empresários do cerrado empregam os instrumentos tecnológicos mais modernos do planeta. Apenas 20 municípios recolheram exclusivamente de ICMS em 2012, R$ 77,6 milhões, enquanto no período compreendido de 2007/2012, o Estado recolheu R$ 292,5 milhões de imposto, sem contar com outras contribuições tributárias – imposto de Renda, IPI, IPTU, ISS. E os encargos sociais? Quanto a Bunge não recolheu de tributos, embora os benefícios dos incentivos fiscais que recebe de Estado. Os governos Federal, Estadual e Municipais não aplicam e/ou investem na infraestrutura física e social dos cerrados o equivalente aos impostos recolhidos. E ainda que o faça, os recursos aplicados anualmente têm retorno garantido, levando-se em conta a durabilidade das estradas e pagamento dos empréstimos com longo prazo para liquidação. A região dos cerrados se sustenta economicamente. Pois, os bens produzidos como arroz, soja, milho, feijão algodão, principalmente, além de uma pecuária forte e de alta qualidade e o agroreflorestamento pagam impostos que compensam todos os investimentos realizados. A região está integrada ao comércio internacional. As relações comerciais são feitas com países como a China (maior parceiro da região), Japão, Espanha, Indonésia, países Árabes dentre outros. Os municípios de Uruçui e Bom Jesus exportaram entre 2012/2013, 66 milhões de dólares em produtos, especialmente soja, conforme a Secretaria de Comercio e Exterior - SECEX. A renda per capta de municípios como Uruçui e Antônio Almeida é maior do que a nacional, respectivamente, de R$ 29,4 mil reais e R$21,4 . Por conseguinte, a região cresce mais que o Brasil, assim como o PIB do Piauí incrementou mais que o nacional, pois enquanto o PIB do país teve aumento de 2,7%, o do Piauí teve incremento de 6,1% no período 2010/2011. Por conseguinte, a vasta região dos Cerrados, praticamente inexplorada, com 8,5 milhões de hectares susceptíveis ao plantio de grãos, responde e assegura aos recursos que os governos aplicam na sua infraestrutura física e social. Magno Pires é Membro da Academia Piauiense de Letras – APL e ex-Presidente da Fundação CEPRO.