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Em 16/02/2018 08:11:00

Magno Pires

 

            A taxa de juro despencou para 6,75% a.a.  A Selic, agora, é a mais baixa desde 1986. Portanto, há 32 anos que não registramos esse patamar.

            A inflação também em 4,2 % a.a., O outro índice histórico. E abaixo da meta fiscal.

            Os empregos estão sendo restabelecidos. A tendência é de queda constante. Alguns setores econômicos, já reativados, empregam fortes contingentes de operários.

            Os empreendedores nacionais e transnacionais estão revendo seus investimentos; fazem novas incorporações de ativos. Estão investindo, em ampliações e modernizações, no seu parque industrial, embora moderadamente, mas com forte tendência de consolidação.

            Os empresários estão otimistas. Os juros em queda, a inflação baixa, desemprego em queda, estabilidade econômica e relativa estabilidade política, é o ambiente favorável e necessário para novos investimentos.

            E esse cenário, embora a nota de rebaixamento da agência de risco internacional, empurrando para baixo a nota do Brasil.

            Justamento porque ainda não foram aprovadas as reformas, especialmente a Reforma da Previdência. E será, mesmo com as alteracões impostas por políticos e sindicalistas populistas, e com superávit de 480 bilhões para os próximos dez anos.

            Quanto aos investimentos, para calar os pessimistas a respeito do Brasil, e demonstrar o interesse dos empreendedores estrangeiros, exclusivamente a China, país comunista, está fazendo grandes investimentos em oito estados, em parcerias com empresários brasileiros, com aplicações de R$ 72,2 bilhões... Esta parceria com os chineses é antiga. Mas, esses investimentos estão provavelmente prejudicados, se a reforma não acontecer.

            A State Grid, empresa chinesa do setor de energia, assumiu o controle acionário da CPFL paulista, comprando a parte acionário da Camargo Correa e de fundos de pensão por 40 bilhões de reais.

            A State Power Investment, também chinesa, arrematou em leilão a usina hidrelétrica de São Simão, em Goiás, por 7 bilhões de reais.

            Ainda State Grid venceu o leilão de construção do linhão da Belo Monte, que conectará a usina a outras regiões do país. O projeto custará 10 bilhões de reais.

            Em Jacareí, São Paulo, a montadora Chery construiu uma fábrica com capacidade de produção de 100.000 veículos por ano, um investimento que somou mais de 1 bilhão de reais.

            Isso tudo é ótimo. Entretanto, precisa ser mantido e preservado. Porque o aval do governo brasileiro é essencial e imprescindível para os empreenderes. E governo quebrado e/ou instável político e economicamente não dará garantia e estabilidade a esses grandes projetos de nacionais em parcerias com líderes empresariais estrangeiros.

            Por isso, que a Reforma da Previdência precisa ser aprovada no Congresso Nacional, com o apoio de toda a sociedade, sem que haja acentuadas desfigurações e substituições do projeto original apresentado pelo governo Temer.

            Esse projeto de alteração constitucional da Previdência Social no Brasil pretende, primeiramente, manter o recebimento atual das aposentadorias, pensões e assegurar que os futuros beneficiários do sistema também recebam os seus direitos na velhice.

            Os sistemas previdenciários público e privado estão precarizados. Vejamos a lógica apresentada por Mailson da Nóbega (Veja 1º de março 2017):

            “Até 1995, receitas e despesas do INSS eram equilibrados. Em 2016, houve déficit de 150 bilhões de reais. Computados os regimes dos funcionários públicos federais, estaduais e municipais (147 bilhões de reais), o déficit total vai a 297 bilhões de reais ( 4,7%  do PIB). O déficit dos três existe e é crescente”. Esses números já estão desatualizados. Eles cresceram muito.

            O governo paga R$ 554,2 bilhões para o Regime Geral (INSS), com 31,5 milhões de brasileiros e R$ 123,4 bilhões para o setor público, com total de R$ 677,6 bilhões. Se continuar crescendo e não for feita a reforma, o governo passará a pagar apenas a folha de pagamento e não fará investimento, pondo em risco o sistema, porque o dinheiro não sobra. É o colapso. O Brasil afundará de vez, segundo Mailson da Nóbrega.

 

 

Magno Pires é membro da Academia Piauiense de Letras, ex-Secretário da Administração do Piauí, ex-consultor jurídico empresarial da Companhia Antactica Paulista (Hoje AMBEV) 32 anos. Portal www.magnopires.com.br com 97.950.100 acessos em 8 anos e quatro meses, e-mail: magnopires_mp@yahoo.com.br.