Literatura

AMANHECI, NESTE PRIMEIRO DE OUTUBRO, COM VONTADE DE ESCREVER

AMANHECI, NESTE PRIMEIRO DE OUTUBRO, COM VONTADE DE ESCREVER

AMANHECI, NESTE PRIMEIRO DE OUTUBRO, COM VONTADE DE ESCREVER

Magno Pires

            A vontade de escrever se manifesta em um momento muito singular, tênue e, ao mesmo tempo, sensível e forte. O desejo brota levemente. Mas, contraditoriamente, alarga-se e esparge, como irrompendo uma membrana, para materializar-se e consolidar-se, formando os pensamentos e sentimentos que nascem dessa membrana justaposta aos caracteres que se armazenam sob ela e se transformam em símbolos, letras, sinais, que firmam as ideias de expressão valorativa e material. Afinal, transformam-se em linguagem escrita, traduzindo os nossos pensamentos e ideias.

            Este esforço inicial, para organizar o universo da escrita, sensibiliza todo o corpo e não apenas o cérebro, residuário das imagens iniciais, que a mente transforma nos elementos que produzem os sinais capazes de exprimir as manifestações que devem ser expostas à linguagem escrita, materializando-se e reproduzindo os sinais e os símbolos da nossa linguagem.

            A linguagem se expressa nesses caracteres. E sem eles é impossível ao homem transmitir os seus pensamentos para deixá-los cravados na história, com material, que comprove, no futuro, essa interlocução afetiva entre o homem, com a sua livre expressão, e/ou literatura escrita, protagonizado nos livros, e o meio ambiente, na sociedade.

            Essa fantástica manifestação valorativa material entre o homem e a escrita reproduzida e/ou expressada na sociedade é a certeza incomensurável de que essa capacidade intelectual e cognoscível é um composto inseparável nesse desejo humano.

            Escrever é materializar os pensamentos nos sinais e letras. Não é uma atitude fácil. Pressupõe uma miríade de manifestações reais, irreais, objetivas, subjetivas, ficcionais, adversas, falsas e verdadeiras, momentâneas e/ou circunstanciais, fortes e fracas, etc., todas encravadas no sentimento humano.

            A escrita é, pois, um produto literário que induz forte desejo do homem em materializar os seus sentimentos; e vontade para transmitir à sociedade, ao coletivo humano, ao complexo social, tudo o que a mente e/ou cérebro foi capaz de selecionar e produzir objetivamente para satisfazer os desejos do corpo humano racionalmente acabado.

            E, sem essa conexão colaborativa entre o cérebro e o corpo, para atender os sentimentos do homem, este será incapaz de produzir a interlocução e/ou interação entre o que realmente escreve e/ou põe a sociedade e o seu intuito material de organizar efetivamente.

            A demanda do homem pelo conhecimento é quase inesgotável. Por isso, que a escrita é parte essencial e fundamental nesta relação causal.

            A escrita e/ou a literatura escrita favoreceu ao homem também a capacidade inacabada dele se expressar sem pensar que os sinais e símbolos tivessem fim.

            Esse fim, se existisse, o homem estaria limitado em sua capacidade de manifestação e produção do pensamento. Esgotado estaria para reproduzir os seus sentimentos com base nas letras e/ou na escrita.

            A escrita, portanto, é fundamental e essencial ao homem, para transmitir, sem pensar no fim desses sinais, para transmitir os seus desejos à sociedade.

            Por conseguinte, sem a escrita, os sinais, o homem não avançaria no conhecimento porque estava manietado e sem poder prosseguir no ideal de construir uma sociedade, com base nas letras, que são a representação factível de sua história de transformação do conhecimento científico e desenvolvimento social e humano.

Magno Pires é Membro da Academia Piauiense de Letras e o Vice-presidente, ex-Secretário da Administração do Piauí, Advogado da União (aposentado), jornalista, administrador de empresas, Portal www.magnopires.com.br, e-mail: [email protected]