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Em 22/08/2017 17:47:38

Magno Pires

            Encorpora-se, mais e mais, uma oposição ao governismo de Wellington Dias, embora o forte processo de cooptação  de partidos e lideranças, construído pelo Chefe do Executivo, bem idêntico ao que o Governo Federal faz para fortalecer-se e consolidar-se politicamente.

            O Partido Progressista – PP, do Senador Ciro Nogueira, que detém a Vice governança, e o PMDB, com o Presidente da Assembleia, formam os principais aliados. Mas, o PP é mais forte do que o PMDB. E uma eventual retirada do embasamento político do Senador Ciro Nogueira e de todo o seu grupo da base governamental, levando o PSDB, com Firmino, dificilmente Wellington vencerá a reeleição. Isso já não acontece com o PMDB. Este partido batendo em retirada, o governismo não se quebrará tanto, embora o apoio significativo do presidente da Assembleia Legislativa, dep. Themístocles Filho, e diversos deputados. O PSD do deputado federal, Júlio César, também não quebrará o governismo. Ambos, desfalcam o processo de reeleição, entretanto não impedem de um saldo favorável ao governador.

            Esse quadro sucessório, com PP, PMDB, PSD e PODEMOS não será              sustentável até 2018. A sucessão presidencial poderá trazer embaraços para essas agremiações e, consequentemente, para a reeleição do governador Wellington. Justamente porque eles compõem, também, a base governamental do presidente Michel Temer e todos têm cargos, convênios e interesses no Governo Federal. Portanto, essa coligação poderá desintregar-se. E, aí será a salvação da oposição.

Além desse cenário acima, desfavorável à reeleição do Governador, os eventos realizados pelo ex-ministro João Henrique, dissidente do PMDB no apoio ao governo estadual, em todo o Piauí e crítico contumaz da administração estadual; os movimentos também realizados pelo ex-governador, médico Wilson Martins (PSB), em todo o Piauí e crítico assaz do governador; o deputado estadual, dr. Pessoa, vai fazer encontros nas principais cidades do Piauí; o ex-governador Zé Filho, atual presidente do FIEPI, também é audacioso crítico de Wellington; a oposição diária e radical do deputado Robert Rios; as fortes denúncias do jornal Diário do Povo, embasadas em documentos, também constroem o arco de irregularidade na gestão estadual, especialmente nas Secretarias de Educação, Administração e Infraestrutura.

            Essas críticas e denúncias do DP e desses líderes materializam e consolidam o espaço das oposições, fortalecendo a convicção de uma provável fragilização da reeleição do Governador.

Entretanto, resta saber quem realmente será o candidato que enfrentará o esquema governamental. Já esteve melhor a situação da reeleição do governador perante o eleitorado e a sociedade. Também há muita conversa sobre o poder de Wellington. Alardeiam os seus aliados um excessivo poder do governador, embora tenha grande popularidade e líder fortíssimo.

            É evidente que dos eventuais postulantes ao Palácio de Karnak, apenas o ex-ministro João Henrique assume deliberadamente a candidatura. Os demais apenas especulam e aguardam uma decisão de Brasília. Como se tudo que acontece lá repercutirá aqui.

            Sei que serei criticado por alguns líderes políticos do Piauí. Entretanto, se todos essas lideranças fossem humildes e convergissem seu interesse de postular o governo estadual à liderança do ex-governador, ex-senador e atual prefeito de Parnaíba, Mão Santa, o oposicionismo à reeleição já teria tido um desenrolar palpável, com Mão Santa despontando nas pesquisas.

            Mão Santa (SD), dr. Pessoa (PSD) e Wellington (PT) são os três únicos políticos piauienses que têm voto popular no Estado. E Mão Santa tem uma história como adversário do PT. Passou 8 anos no Senado Federal criticando Lula e Dilma e as suas ações governamentais. E desapiou do poder, em Parnaíba, um petista histórico que queria se reeleger.

            Se todos esses líderes de oposição ao governo, despirem-se de suas vaidades, dos seus interesses, de suas indiosincracias, e se pretendem mesmo retomar o Poder Executivo da reeleição de Wellington, convidem Mão Santa e lhe deem a segurança política de uma ampla coligação oposicionista que verão os resultados ao final do embate.

O ex-ministro João Henrique foi o emissário           do PMDB em 1994, para que Mão Santa se filiasse ao partido e fosse candidato ao governo. Filiou-se ao PMDB, venceu Átila Lira, e João Henrique ganhou a AGESPISA. Mas, com esse faz de conta de oposicionismo sem um candidato, Wellington será governador pela 4ª vez. O ex-governador Freitas Neto (PSDB), com sua vasta experiência, está correto ao reclamar a indicação de um candidato pelas oposições.

 

 

Magno Pires é membro da Academia Piauiense de Letras, ex-Secretário da Administração do Piauí, ex-consultor jurídico da Companhia Antactica Paulista (Hoje AMBEV) 32 anos. Portal www.magnopires.com.br com 90.850.118 acessos em 7 anos e 11 meses, e-mail: magnopires_mp@yahoo.com.br.