Literatura

A TRICENTENÁRIA OEIRAS – A PRIMEIRA CAPITAL

A TRICENTENÁRIA OEIRAS – A PRIMEIRA CAPITAL

A TRICENTENÁRIA OEIRAS – A PRIMEIRA CAPITAL

 

Magno Pires

 

              DISTANTE de Teresina 313 km. É o mais antigo município do Piauí. Criado em 30 de junho de 1712 e instalado em 16 de dezembro de 1717. Tem, atualmente, 308 anos. Foi a primeira capital do Piauí; Área territorial de 2.719 km2 e população de 36.266. Está situada às margens do Rio Mocha; quatorze municípios têm limites com Oeiras: Colônia do Piauí, Wall Ferraz, Santa Cruz do Piauí, Dom Expedito Lopes, São João da Varjota, Ipiranga, Inhuma, Novo Oriente, Barra D’Alcântara, Tanque, Santa Rosa, Cajazeiras, Nazaré e São Francisco do Piauí. Esses municípios totalizam uma área territorial de 9.085 km2 e uma população da ordem de 89.366 habitantes. Quatorze municípios limitam-se com Oeiras. É o maior número de municípios nos limites de uma entidade municipal no Estado.

              Oeiras é muito conhecida por ter sido a primeira capital e a sua forte religiosidade, com a belíssima igreja de Nossa Senhora da Vitória e a procissão do fogaréu; que reúne milhares de religiosos, que saem às ruas à noite cada um conduzindo uma vela acesa. Realmente é um espetáculo; talvez único no Nordeste e no Brasil. Após a procissão, a missa é rezada no calçadão à frente da igreja. É muito emocionante o ato religioso. Uma multidão de crentes e devotos, imbuídos de seu forte sentimento em Deus, assiste atentamente a missa e aos sermões anunciados pelo Bispo e os padres.

              Com a transferência em 1852 da Capital para Teresina, Oeiras perdeu muito a sua pujança social, política, econômica e cultural, embora mantenha, ainda firmes, vários traços desse histórico pretérito muito rico.

              Preserva essa tradição religiosa que só se consolida com o passar dos anos. Nenhum outro evento no Estado usurpou essa sua herança e identidade sacra nem sequer Teresina.

              O município é um polo regional; notadamente educacional, cultural, comercial e de serviços, composto pelos treze outros municípios situados em seus limites e influentes n’outros territórios mais distantes como Simplício Mendes e São João do Piauí.

              A cidade está situada às margens da Transamazônica. Por isso, centenas de carretas, com transporte de cargas, são abastecidas nos postos de gasolina, com lojas de conveniência, bares, restaurantes, hotéis e pousadas, além de oficinas para prestação de serviços. É um serviço de manutenção de boa qualidade. Os banheiros são limpos e toda a área dos postos. A imagem é boa e agrada aos visitantes, viajantes e turistas.

              O comércio é muito forte, com pequenas e várias indústrias, especialmente no setor de alimentos. Há um mercado antigo que oferece produtos em grande quantidade, várias marcas de procedência.

              Há também na cidade um grande centro comercial erguido, em parte, em imóvel antigo, que foi preservado, e ampliado para várias lojas. E onde funciona uma central de artesanato com diversos produtos confeccionados no município e na região de abrangência de Oeiras.

              Há polos educacionais das Universidades federal e da UESPI, bem como do Instituto Federal de Educação, que recebe estudantes da região. Além  da rede de educação do ensino médio e fundamental do Estado e do município que são fortes e de boa qualidade.

              O escritor O. G. Rego de Carvalho, ícone da literatura piauiense e nacional, nasceu em Oeiras. É um dos maiores romancistas do País. Membro da Academia Piauiense de Letras.  Ex-advogado do Banco do Brasil.

              Os acadêmicos Dagoberto Carvalho, Moisés Reis, Expedito Rego também pertencem a Academia Piauiense de Letras.

              Existem as infraestruturas de saneamento de água e de esgoto, com o tratamento da água e dos dejetos. Aliás, Oeiras foi pioneira na implantação do sistema de saneamento (e tratamento) de esgoto, ainda na gestão do ex-prefeito B. Sá em 2009-2010.

              Hotéis, pousadas, bares e restaurantes atendem às exigências de comodidade de turistas e viajantes. E servem refeições e cafés da manhã fartos e de excelentes qualidades. Há também as comidas típicas em bares e restaurantes de referência da região como: galinha caipira ao molho pardo, carneiro assado e ao molho, feijoada, Maria Isabel, sarapatel, buchada, fritos de carne de galinha e porco e carneiro, mão de vaca etc.

              Por ter sido a primeira capital é a mais antiga cidade do Piauí, Oeiras conta também com um enorme e belíssimo acervo arquitetônico de origem colonial que é preservado e tombado pelo patrimônio histórico. Todos em bons estado de conservação.

              Também por recepcionar a Rodovia Transamazônica às suas margens, Oeiras impulsiona fortemente a sua atividade econômica e de serviço; e a cidade cresce e se desenvolve por conta dos benefícios oriundos e produzidos pelo movimento constante e diário desse transporte interestadual de cargas.

              Dispõe, ainda, de uma regular estrutura médica, com um hospital regional do Estado, várias clínicas e laboratórios particulares.

              O município é um polo estratégico para a implantação de indústrias. Pois detém a infraestrutura física e social necessárias ao atendimento do setor.

              Ademais, interligada por uma Br que serve de transporte à produção, forte mercado consumidor regional e de grande abrangência; agências bancárias, hotéis, prestação de serviços, tudo o que precisa o investidor mais exigente. Energia elétrica de regular qualidade.

              Por conseguinte, estes são alguns dos breves traços e espaços da história social, econômica, cultural e estratégica ao rumo do desenvolvimento que gostaria de destacar e referenciar da cidade natal de bons amigos meus, que nasceram na primeira capital, como: Dagoberto Ferreira de Carvalho, Moisés Reis, Pedro Ferrer Mendes Freitas, Kleilton Martins e o seu pai Pedro Nunes Martins, Francisco Lopes e esposa Beatriz.

              Ainda Juarez Tapety e Raimundo Nogueira de Sá (estes dois já falecidos) e toda a família Sá, que hoje integra minha família, com Betinha, filha de Maria Emília e Arimateia, casada com o deputado estadual Henrique Pires, filho de Magno Pires e Jane Coelho de Carvalho Pires sob os olhares atentos dos netos Maria Elisabete e Pedro Henrique.                                       

             

Magno Pires é Membro da Academia Piauiense de Letras e o Vice-presidente, ex-Secretário da Administração do Piauí, Advogado da União (aposentado), jornalista, administrador de empresas, Portal www.magnopires.com.br, e-mail: [email protected]