Gestão

O MUNICÍPIO DE BATALHA – II

O MUNICÍPIO DE BATALHA – II

O MUNICÍPIO DE BATALHA – II

 

Magno Pires

 

              A emancipação política-administrativa foi um trabalho histórico do líder político Antônio Pires Lages, irmão de Alfredo Pires Lages, sogro e tio de Magno Pires, que, juntamente com o sogro Francisco Borges Alves, elevaram o povoado à categoria de município. E Alfredo Pires Lages é o pai de Maria do Rego Lages Alves, esposa de Magno Pires.

              O interventor do Estado, Landri Sales, mandou prender Antônio Pires Lages, devido às suas manifestações políticas partidárias a favor da democracia. Foi o único dos interventores de município preso.

              O ponto turístico mais relevante do município é a Cachoeira do Urubu que serve às populações de Batalha e Esperantina, principalmente nos banhos no verão e o espetáculo das águas com as chuvaradas de dezembro a junho; os visitantes e turistas se divertem com empenho e com grande afinco e amor.

              Os festejos do padroeiro da cidade, São Gonçalo, atraem a população do município e do seu entorno, com milhares de devotos do Santo, chorando, rezando e pagando preces atendidas. Há fortes emoções.

              O município de Boa Hora, vizinho de Batalha, é o maior produtor de rapadura do Norte e do Estado, com cerca de 114 engenhos. Embora muitas fazendas tenham deixado de produzir rapadura, ainda existem muitos que teimam em produzi-las, ainda que falte mão de obra; e as ações do Ministério do Trabalho contra produtores, preço vil do produto, têm levado muitos a encerrar as suas atividades.

              Os empreendedores do agroreflorestamento, com o plantio de eucalipto, começam a instalar os seus projetos no município de Batalha.

              A paróquia de Batalha, era proprietária da Fazenda Macambira, talvez a maior área rural de posse de uma Igreja, com um grande assentamento, talvez um dos primeiros do Estado, o maior do Brasil e da América Latina, com aproximadamente.16.000 hectares de extensão, 749 lotes e 6.000 famílias assentadas.

              As terras são de excepcional qualidade e centenas de assentados  que produzem em grande quantidade arroz, milho, feijão, fava, mandioca, além de alguns com o plantio de cana, que está em baixa no município.

              Os proprietários dos lotes no assentamento criam grande quantidade de ovinos, caprinos, suínos, galinha caipira, capote, perus e pequenos rebanhos de gado, notadamente para servirem à sua manutenção e/ou alimentação.

              O município de Brasileira, que é vizinho de Batalha, acaba de receber um enorme investimento para a produção de energia alternativa, a eólica.

              Além de alguns  dos municípios limites de Batalha terem um desenvolvimento econômico muitas vezes maior, mais pujante e expressivo que o de Batalha, que ainda usurpam o seu crescimento econômico, as brigas políticas históricas polarizadas, desde as décadas de 40/50, em Batalha, entre os Pires Lages e os Melo, que se alternam na gestão municipal, porém, sem grandes proveitos benéficos sociais, econômicos, financeiros e culturais para os munícipes.

              Esse palco de divergências políticas, entre essas famílias tradicionais, que deveria ser forte fator de desenvolvimento para Batalha, e não o é, o que contraria os fundamentos estruturantes da política e da economia, pois insurge-se como elemento fortemente de símbolo de atraso.

              Prevalecem, portanto, as brigas pessoais entre eleitores e núcleos  familiares, adversos, em defesa do líder municipal de sua preferência; as divergências políticas, sem qualquer cunho ideológico, apenas um partidarismo insosso e desarrazoado; e difamando as famílias.

              Além do evento religioso da festa de São Gonçalo, quando dezenas de milhares de fieis chegam à cidade; o outro símbolo do município é a festa do bode de característica estadual, nordestina e nacional, que movimenta intensamente o comércio e o setor de serviços da municipalidade, além da venda dos animais.

              A culinária batalhense é boa e fortemente variada: feijão com arroz (baião de dois), galinha com arroz (Maria Isabel), fritos de galinha; porco, bode e carneiro, churrasco de boi, bode e carneiro; feijoada, panelada, sarapatel, vatapá, buchada, mão de vaca, frango, porco, bode, carneiro ao molho..., e os formidáveis doces de buruti (o melhor do Piauí – feito pela minha cunhada Socorro Bezerra), de leite, de caju e de cajuí, de jaca, de casca de laranja, a canjica, a pamonha; e de bacuri. E a garapa de cana de açúcar, além do remelão queimado.

              Há, também, uma enorme variedade de frutas nativas: creoli, Maria preta, cajui, marmaleda, guabiraba preta e amarela, araticum, sapucaia, pequi, maracujá do mato, buriti, bacuri, araçá, amêndoa de sapucaia, do tucum e do babaçu, coroatá... que estão ameaçados por conta dos projetos de grãos e reflorestamento. Ainda que hajam as leis que os protejam.

 

 

Magno Pires é Membro da Academia Piauiense de Letras e o Vice-presidente, ex-Secretário da Administração do Piauí, Advogado da União (aposentado), jornalista, administrador de empresas, Portal www.magnopires.com.br, e-mail: [email protected]